quinta-feira, 19 de junho de 2014

O Estado da Escola Pública, ou os ratos atacam a despensa


A política deste governo para a educação é bem conhecida e pode ser descrita em meia dúzia de palavras: desorçamentação, agregação de escolas e agigantamento de turmas, retirada generalizada dos apoios a escolas, professores, famílias e alunos. A isto acresce o discurso da exigência para os alunos: exames a torto e a direito, em nome do rigor.
O resultado é também conhecido: ir à escola implica um esforço acrescido para todos, são as deslocações, a fome, o anonimato dos alunos, o desemprego e a falta de condições para professores desenvolverem o seu trabalho. Nivelam-se as expectativas por baixo (muito baixo) e dificulta-se a progressão. Restringe-se a democracia da escola conquistada no 25 de Abril, obtém-se mão-de-obra barata para uma economia moribunda, assente em trabalho precário, voluntário e gratuito.
É neste quadro que surgem os empreendedores, os salvadores da coisa pública, disposta a oferecer o chouriço a quem roubou o porco. Criam a miséria para depois a mitigarem com as migalhas que lhes caem da mesa. Foi e é o caso do Banco Alimentar Contra a fome, iniciativa que transformou a pobreza do povo num negócio chorudo para as cadeias de super e hipermercados, que lucram enquanto praticam a caridade aos necessitados, muitos deles explorados e roubados pelo mesmo patrão a quem agora agradecem o kilo de arroz ou o pacote de leite que o Banco Alimentar lhes entrega, pago a bom preço por gente que, querendo fazer o bem, engorda os agiotas da fome.
Agora o mesmo esquema, ou semelhante, nada de muito original, e com o patrocínio dos mesmos oligarcas da lusitana nação à beira mar plantada, chega à educação. O ataque à escola pública já não passa apenas pela entrega das verbas destinadas ao ensino aos privados e a essa cadeia de hipermercados bafientos de escolas que são as misericórdias, em que os professores e auxiliares são tratados da mesma forma que os caixas dos hiper’s e os alunos como se mercadoria fossem, sendo a sua “educação” uma qualquer promoção com direito a desconto em talão ou cartão, desde que pague em dinheiro vivo que multibanco só acima de determinado valor, que não estão para pagar taxas, e impostos só na holanda.
A escola pública, retratada como mãe de todos os malefícios da sociedade, onde os professores são barões e os alunos uns ingratos lorpas malcheirosos está na imprensa do regime. Os rankings assim os confirmam. Verdade, verdadinha cientificamente e cratinamente demonstrada.
É aqui que os salvadores da pátria e da mátria acorrem e entre municipalizações e trabalho voluntário, com direito a gordas e estampas nos jornais do costume, lá se vão cantando loas aos patrões benevolentes que acorrem com trabalho voluntário – dos outros – em missão suprema e patriótica, projectos financiado pelos do costume – dos contribuintes não holandizados – e arrombado pelos governantes que acenam com exigência e rigor nos orçamentos e excomungam a educação do mal das ciências e as ciências da educação da propriamente dita, vêm a salvar a escola pública com a magnânima privatização.
Vem este desabafo a propósito das santificas noticias dos últimos dias, no público, i e outros afins, sobre a descoberta da pedra filosofal da pedagogia feita pela EPIS (http://www.epis.pt/homepage), como seu projecto “mediadores para o sucesso escolar” (http://www.epis.pt/mediadores/resumo-dos-programas) coisa destes insuspeitos senhores* , a bem da nação e desgraça de todos nós.

*) Mesa da Assembleia Geral:
SOVENA, Manuel Alfredo de Mello; José Miguel Júdice; Nuno Brito Lopes; Nuno Luís Sapateiro; Luís Palha,
Direção:
 Luís Palha;Fundação EDP, Sérgio Figueiredo; Fundação Manuel António da Mota, Rui Pedroto; Jerónimo Martins, Henrique Soares dos Santos; Unicer, João Abecasis
Conselho Fiscal:
Eduardo Catroga; WESHARE, Luís Magalhães; BDO, José Soares Barroso; Ernst & Young, João Alves; Price, Waterhouse & Coopers, Jorge Costa


Conselho Consultivo

Fundação Rocha dos Santos, Francisco van Zeller
Banco Espírito Santo, José Manuel Espírito Santo
Deutsche Bank, Bernardo Meyrelles
Fundação EDP, Sérgio Figueiredo
Grupo Visabeira, Fernando Campos Nunes
Iberdrola, Joaquim Pina Moura
Merck Sharp & Dohme, Leonardo Santarelli
Porto Editora, Vasco Teixeira
Sapec, Antoine Velge
SGC, Rui Pena
Instituto de Emprego e Formação Profissional, Félix Esménio
Associação Novo Futuro, Isabel Megre
Manuel Braga da Cruz


e o alto patrocínio de S. Exca o Presidente da República.

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