segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O peso das mochilas

Perante a evidência do escessivo peso das mochilas dos alunos, surge uma petição através da qual se pretende reduzir a carga transportada diariamente para cá e para lá.
As mochilas do 5º e 6º ano podem chegar a pesar até 30% do peso da criança, quando a OMS recomenda como limite os 10%.

As editoras já responderam que estão prontas para reduzir o peso dos manuais, a parte de leão do recheio das mochilas. E têm solução: manuais digitais.

Vuelta al cole - Mochilas
Mas o peso das mochilas é apenas a parte física da questão. Quanto pesa um manual na educação? 


O manual, em papel ou digital, é a operacionalização das determinações curriculares do Ministério da educação, transformada em via sacra do ensino tradicional, em que que a lição de amanhã está escrita na página que se segue à de hoje.
Os manuais fazem falta, são úteis, muito mais úteis seriam se fizessem parte de um acervo bibliotecário de cada sala de aula, à disposição dos alunos, a par de enciclopédias, dicionários e gramáticas.
Tal como existe e é utilizado, o manual não é um mapa do saber, mas sim uma cerca que delimita a vereda de onde alunos e professores não devem trespassar. 

Num mundo de futuro incerto e onde as capacidades de gestão da informação, de análise crítica e criatividade devem ser a marca da aprendizagem, os manuais únicos, são a base material e a marca pedagógica de uma educação limitada e limitadora. "poucochinha" diria.

Tal como existem  hoje, os manuais escolares são as fast-food das salas de aula. Informação de plástico, já mastigada, pronta a ser consumida e deitada fora depois do teste.

O peso das mochilas pode medir-se em kilos, mas deve sobretudo medir-se em ignorância, ignorância dos caminhos da aprendizagem plena e da construção do conhecimento, que devia ser feita na descoberta do mundo e não na da ladainha das editoras.

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